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Sessão sobre “Novembro Roxo” trata importância de cuidados com a prematuridade
11.11.2022
Redação

Proposta pelo vereador Marmuthe Cavalcanti (Republicanos), a sessão especial abordou a garantia de direitos do bebê prematuro, formas de prevenção, riscos e necessidade de melhorias e especialização de equipes

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) discutiu, na manhã desta sexta-feira (11), o ‘Novembro Roxo’, alusivo à prematuridade. A campanha tem como objetivo alertar a sociedade sobre o crescente número de partos prematuros, suas causas e consequências. A sessão especial foi proposta pelo vereador Marmuthe Cavalcanti (Republicanos).

O parlamentar destacou que o nascimento do bebê antes de 37 semanas de gestação, a prematuridade, é a principal causa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos no mundo. “Em torno de 12% de todos os partos realizados no Brasil são de bebês prematuros. Este percentual nos coloca na décima posição entre os países onde mais nascem crianças prematuras, contabilizando aproximadamente 340 mil nascimentos prematuros por ano”, alertou.

Marmuthe Cavalcanti ressaltou o Projeto de Lei de sua autoria que tramita na Casa e institui a Semana municipal da Prematuridade, a ser realizada no mês de novembro, que prevê atividades e mobilizações direcionadas ao enfrentamento do parto prematuro, com foco na prevenção do nascimento antecipado, na conscientização sobre os riscos envolvidos e na assistência, proteção e promoção dos direitos dos bebês prematuros e suas famílias.

“Nosso mandato estará à disposição para pautar, sempre que preciso, as melhores iniciativas e proposituras atinentes à prematuridade. Registro publicamente minha felicidade em poder representar, na Casa do povo, esta bandeira de luta e me comprometo a ser fiel defensor dos pais, mães, famílias e crianças prematuras, legislando em prol da sua dignidade, garantindo seus direitos e trazendo à tona todas as reivindicações que, neste parlamento, podemos legislar e debater”, garantiu o vereador.

Juliana Soares, diretora técnica da Maternidade Cândida Vargas e coordenadora-geral da Rede Cuidar, afirmou que a ocasião da Sessão Especial é um momento único na Paraíba e explicou que a cor roxa foi escolhida para o mês para representar a sensibilidade do bebê prematuro que precisa de cuidados especiais. Atraso no desenvolvimento, cegueira e surdez são alguns dos possíveis impactos do parto prematuro, segundo a diretora. Ela relatou que muitas vezes essa criança nasce de surpresa em maternidades que não têm pediatria e que a rede de telemedicina da Paraíba tem colocado especialistas onde não se tem, mas ressaltou: “Precisamos que essa assistência seja especializada. A equipe multiprofissional também tem que se subespecializar, porque é muito complexo o cuidado do prematuro”. Para ela, o envolvimento multiprofissional é essencial, trabalhando desde a prevenção ao parto prematuro, através da obstetrícia, linha contemplada pela Rede Cuidar, além do cuidado com a cardiopatia e a neonatologia.

A coordenadora da Saúde da Criança e Aleitamento Materno da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Rafaela Carvalho, ressaltou a importância da atenção básica, pois ela “acompanha a mãe desde o início e pode identificar a possibilidade e os riscos dessa mãe evoluir com o parto prematuro ”. Ela afirmou que a SES ampliou os leitos no sertão e no brejo e realizou investimentos na ordem de R$ 7 milhões. “Essa discussão vem a despertar esse olhar e fazer com que a gente cada vez mais diminua a taxa de mortalidade materna e neonatal do nosso estado”, afirmou.

A coordenadora da Rede Paraibana de Bancos de Leite, Thaise Ribeiro, reforçou o papel da amamentação como um tratamento terapêutico: “A amamentação é um dos investimentos mais eficazes que o país pode fazer pelo seu povo”. A Rede, de acordo com ela, oferece leite humano com certificação e controle de qualidade para a Paraíba. São seis bancos e 21 postos de coleta no estado. Ela reconhece a doação um ato de amor, mas, também, de expressão da cidadania: “de forma responsável e humana”.

O nutricionista Samuel Paulino destacou a importância não só do leite materno, mas também do colostro, que é o primeiro leite produzido pela mãe quando começa a amamentar. “Que a gente utilize esse alimento para ajudar, porque ele é rico em vitaminas, anticorpos e ajuda o sistema imunológico da criança”, afirmou o nutricionista, salientando ainda a importância da política do banco de leite.

A enfermeira Mariluce Ribeiro foi a idealizadora do projeto ‘Hora do Colinho’ e também destacou a importância do acolhimento afetivo. “Os profissionais que cuidam desses bebês prematuros têm muita sensibilidade quanto à importância do contato precoce entre a mãe e o bebê. Nos casos de bebês órfãos, temos o projeto ‘Hora do colinho’, que não substitui o colo materno, mas o bebê que não pode ter o contato direto com a mãe precisa de um acolhimento afetivo e humanitário. Precisamos unir forças e dizer que é possível prevenir o nascimento prematuro e mudar de vez esse cenário de índices de prematuridade”, afirmou a enfermeira especialista em neonatologia e que trabalha há 18 anos com os cuidados de UTI neonatal.

A cada ano, a taxa média de nascimentos prematuros no Brasil é de cerca de 12%, número que está acima do índice mundial. A nutricionista Janilda Moraes afirmou que isso gera preocupação e reforçou a necessidade de profissionais especializados e equipes multidisciplinares. “Temos uma média de 51 dias de tempo de internação. Quanto mais a gente tiver o suporte de profissionais capacitados, mais conseguiremos garantir a qualidade do tempo do prematuro na unidade neonatal”, explicou. Ela destacou a importância da garantia de direitos dos bebês prematuros, como o livre acesso dos pais à criança, permitindo o vínculo afetivo: “Pai e mãe, nós não consideramos como visita no Hospital Amigo da Criança e precisamos expandir isso, principalmente a mãe, que vai manter a produção de leite que estará garantido a essa criança”. O leite materno, segundo explicou, é um alimento primordial para potencializar o tratamento.

Elma Dantas, representando Raira Bezerra, presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB), enfatizou, ainda, que a enfermagem, inserida no contexto da prematuridade, é quem gerencia os cuidados e todo um processo a fim de evitar as mortes dessas crianças, juntamente com outros profissionais multidisciplinares.

Clarisse Oliveira e Rebeca Neto

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