Atendendo a uma propositura da vereadora Rebeca Sodré (União Brasil), a Câmara Municipal de João Pessoa realizou na tarde desta segunda-feira, 10, uma sessão especial para debater o mês de prevenção ao câncer de mama, o “Outubro Rosa”. “O câncer de mama não é restrito às mulheres. Ele pode acometer homens, também”, alertou a parlamentar ao abrir os trabalhos.
Rebeca destacou que o Outubro Rosa passou a ser comemorado a partir de 1990 e que os laços cor de rosa foram uma forma de despertar a atenção da sociedade para a doença. O símbolo foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, durante a primeira Corrida pela Cura, realizada em 1990, na cidade de Nova York.
A sessão começou com a declamação de um poema por sua autora, a advogada Kizzy Maria. Em seguida, Rebeca Sodré justificou sua iniciativa de propor o debate do tema no plenário da CMJP:
“O diagnóstico do câncer não é uma sentença de morte. Muito pelo contrário: ele pode ser um momento de transformação da vida. Amor, carinho e aconchego curam a alma e qualquer doença”, disse Rebeca Sodré. “O objetivo dessa sessão é ouvir profissionais sobre as formas de prevenção e tratamento e também conhecer mulheres poderosas que venceram o câncer de mama. O diagnóstico precoce, o toque e o autoconhecimento são imprescindíveis para superar essa doença”.
Na sequência, a fundadora do Instituto Poderosas em Ação, Leandra Santos, falou sobre sua experiência pessoal vitoriosa no combate ao câncer de mama. Ela teve o diagnóstico aos 34 anos através de um autoexame, mas aconselhou as demais mulheres a se submeterem a exames periódicos que detectem nódulos ou outras anomalias em estágio inicial: “O meu nódulo já tinha 2 cm e eu não pensava que naquela idade eu poderia ter câncer. Mas, hoje eu tenho convicção que esse foi um propósito de Deus para que eu pudesse ajudar outras mulheres. O Instituto hoje tem cerca de 100 participantes e conta com psicóloga, advogada, assistente social e nutricionista e quando a mulher chega desesperada com a biópsia, nós a acolhemos, orientamos e abraçamos”, explicou.
Outra a fazer uso da palavra foi a vice-presidente da OAB-Paraíba, Rafaella Brandão. “Num momento de tanta polarização política e de ódio, como é bom poder voltar a falar de amor. Essa sessão é muito importante e a OAB vestiu a camisa do combate ao câncer de mama e da prevenção ao câncer de mama. Na Ordem, temos mais de 50% de advogadas. Todas conhecemos alguém que teve ou tem câncer de mama. Reafirmo nosso compromisso com esta causa. É nesse espírito de solidariedade e amor que devemos seguir em frente. Que possamos ser um elo, falar sobre a rede de proteção, que tenhamos força e levantemos a voz com coragem por quem sofre com o câncer de mama”.

A apresentadora do programa Elas por Elas, da Rádio Sanhauá, Cris Moreira, revelou que perdeu uma irmã vítima de câncer de mama dois anos atrás. “E quando uma mulher adoece de câncer de mama, toda a família adoece junto. São muitos órfãos quando essa mulher não consegue sobreviver. É lindo ver a capacidade de superação de tantas mulheres. É algo lindo o exemplo em Leandra e o trabalho de tantas mulheres em prol desta causa”.

A vereadora Cris Furtado (PSB) também teve uma amiga que aos 22 anos descobriu o câncer e o fez por acaso ao realizar um exame investigando outra doença. “Não existe faixa etária. Minha amiga teve aos 22 anos. Ela fez o tratamento e ficou curada. É importante realizar campanhas para estimular a prevenção e divulgar os serviços oferecidos pela rede pública”.
Por sua vez, Mariana Pinto afirmou que sua mãe teve câncer de mama em 2009 e também ficou curada. Ela, que representa a rede municipal de Saúde, explicou que o mês de outubro registra o maior fluxo de atendimento em relação a consultas e exames para detecção da doença. “A população procura mais neste mês e acaba encharcando o serviço tanto para realizar exames, seja no Hospital São Vicente de Paulo, no Napoleão Laureano, no Hospital Universitário Lauro Wanderley e no Centro Especializado Diagnóstico do Câncer (CEDC). Em outubro, a dificuldade é maior e isso poderia ser diluído ao longo dos demais meses”. Mariana ainda enfatizou que a rede de atenção básica de médicos e enfermeiros capacitados para atender as mulheres que desejem atendimento a respeito do câncer de mama.
Também participou da sessão a representante do Instituto de Incubação e Aceleração (IA), Priscila Dora, que destacou o fato de a Paraíba captar apenas menos de 0,5% de todo recurso que poderia ser utilizado no terceiro setor no Estado através de editais e emendas. “Nós capacitamos instituições sociais para chegar a esse caminho”.
Outra presença na sessão especial foi a de Rosana Porpino, da ONG Amigos do Peito. Ela enfatizou o papel importante das organizações do terceiro setor no atendimento à pacientes: “O câncer de mama não escolhe idade, classe social, nem raça. Ele atinge a todas as pessoas. Muitas ONGs têm trabalhado com vários objetivos e produzindo soluções. Problemas, já temos muitos, mas juntas nós vamos encontrar mais soluções”, comentou.

A sessão, que começou com poesia, também teve um momento musical quando a musicoterapeuta “Dark Tagarela”, ocupou a tribuna e tocou uma canção composta por ela chamada “Valorizando o tempo”.
Ainda passaram pela tribuna a professora Josivânia Souza, fundadora do projeto Amparar, cujo lema é transformar a dor em amor; a advogada Isabella Cabral, presidente da ONG ABMCJ, que narrou sua experiência aos 25 anos com o diagnóstico de um tumor nas mamas, do qual ela conseguiu se curar; a médica Fernanda Araújo, médica generalista e atuante na pediatria, que ressaltou a necessidade de também prevenir o câncer de colo de útero; a psicóloga Roseane Gomes, que falou sobre os cuidados paliativos dos pacientes oncológicos; a nutricionista Johana Guiimarães, destacando a importãncia dos alimentos nutritivos e “coloridos” nas dietas; além da professora e diretora escolar Raquel Xavier, cujo entendimento é de que a disseminação de informações sobre a prevenção a diversos males, como o cãncer de mama, deve ser feita no calendário pedagógico. “Muitas vezes falta informação para iniciar o combate a uma doença”. A sessão foi encerrada por uma das fundadoras do Poderosas em Ação, Francisca Dutra, moradora do sítio Gurugi, no Conde. Ela também venceu o câncer e disse que sua cura foi uma benção de Deus. “Faço um pedido a Deus para que toque o coração das autoridades. Os hospitais precisam ter medicamentos para atender os pacientes”, resumiu.

Fotos: Juliana Santos