Para o Presidente Dinho Dowsley (Avante), embora se tenha avanços, há ainda um longo caminho a ser percorrido
No Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, parlamentares comemoraram avanços e afirmaram que é preciso ir além do que já foi feito. Entre vereadoras e suplentes, passaram pela Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) 14 mulheres representando a população pessoense ao longo de 18 legislaturas. Atualmente, integram o quadro da legislatura as vereadoras Eliza Virgínia (PP) e Fabíola Rezende (PSB).
Para o presidente Dinho Dowsley (Avante): “As mulheres percorreram um longo caminho até conquistar, de forma tardia, o direito ao voto e à participação mais efetiva na política. As conquistas foram muitas, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido para aumentar a presença delas nas mais diversas esferas do poder. E é importante que isso ocorra porque a presença feminina melhora e qualifica a política”.
Sobre a conquista do voto feminino, Fabíola Rezende explicou que esse direito representa um grande passo na democracia brasileira, porém, há degraus a serem percorridos: “A representatividade das mulheres nos cargos públicos em todas as esferas ainda é pequena em todo o país, apesar de representarem mais de 50% do eleitorado nacional. (…) Não é uma luta contra os homens, é um posicionamento em defesa das mulheres. Só assim teremos um maior equilíbrio entre homens e mulheres nos momentos importantes de tomada de decisão, uma maior diversidade de ideias e um debate que fará a sociedade entender e valorizar ainda mais o papel da mulher”.
Já a vereadora Eliza Virgínia (PP), suplente de deputada federal, comentou que ainda vê poucas mudanças no engajamento das mulheres na própria luta: “Uma das maiores ativistas de todos os tempos, Simone de Beauvoir, se queixava das mulheres porque dizia que elas não conquistaram, mas, receberam esse direito, que não estavam engajadas ou interessadas o suficiente na luta. Para se ter uma ideia disso, Bertha Lutz, ativista que batalhou muito pelo direito ao voto, no Brasil, se candidatou em 1933 e não recebeu votos suficientes para se eleger. Ou seja, a mulher que tanto lutou pelo direito ao voto feminino não foi eleita pelas próprias mulheres. O que tenho percebido é que não é muito diferente de hoje. Na Câmara Municipal de João Pessoa, apenas uma mulher foi eleita. Temos outras que são suplentes, que conseguiram assumir mandatos. Na Câmara Federal, não teve nenhuma mulher eleita, foram 12 homens”, observou.
A conquista do voto feminino
No cenário político, até 1932, as mulheres não tinham direito ao voto e não podiam se candidatar aos cargos existentes. A luta por esse direito foi marcada mais precisamente pelo movimento sufragista, que reivindicava, em diversos países, a participação ativa delas na política. No Brasil, foi em 1932, no governo Vargas, que o sufrágio para mulheres brasileiras, alfabetizadas e assalariadas se tornou um direito. A Constituição de 1946 passou a assegurar o direito de todas as pessoas alfabetizadas e maiores de 18 anos.
Sessão especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher
No dia 29 de março, a Câmara Municipal de João Pessoa realizará uma sessão especial, a partir das 14h30, para homenagear mulheres cidadãs, e cumprir o calendário de lutas em defesa dos direitos das mulheres, a ser conduzida pelos vereadores Marcos Henriques (PT) em conjunto com Fabíola.