João Pessoa, 21 de julho de 2024
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Audiência Pública debate ações de tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico
25.10.2023
Cybele Morais
Juliana Santos

Sessão reuniu gestores de saúde, pacientes e membros de entidades que atendem pessoas com doenças autoimunes

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) realizou na tarde desta quarta-feira (25), Audiência Pública para debater ações de tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico na rede municipal de saúde. A sessão reuniu gestores de saúde, além de pacientes e representantes de entidades que atendem pacientes com doenças autoimunes na cidade.

Quem presidiu os trabalhos foi o autor da solicitação de audiência, vereador Marcos Henriques (PT). Ele disse que o objetivo foi o de informar o público em geral sobre doenças autoimunes, sobretudo o lúpus, educar sobre as causas, sintomas e diagnósticos das doenças autoimunes, com ênfase no lúpus, discutir as opções de lugares para o tratamento e gestão de doenças autoimunes, abordar as questões emocionais e sociais enfrentadas pelos pacientes, com ações e recursos disponíveis para eles e suas famílias. “É importante que seja discutida a rede de atendimento para os pacientes com lúpus e acredito que esse seja o principal objetivo de reunirmos tantas pessoas e informar que a Comissão de Direitos Humanos da CMJP, onde essa audiência acontece, está aberta a ampliar o horizonte desse debate”, afirmou.

A presidente da Sociedade Paraibana de Reumatologia, Sandra Rejane Cabral, afirmou que a reivindicação dos pacientes com doenças autoimunes em geral é legítima por melhores atendimento e assistência. “Nós vivenciamos o dia a dia no Hospital Universitário Lauro Wanderley com esses pacientes e entendemos a necessidade de um atendimento coordenado com outras especialidades, sobretudo porque essas doenças autoimunes afetam outros órgãos e sistemas. Entendemos a necessidade de aquisição de medicamentos específicos para o tratamento e uma rede laboratorial de assistência que possa contribuir para o diagnóstico e acompanhamento desses pacientes e a necessidade de uma triagem correta deles para um serviço que tenha complexidade para abrigá-los”, acrescentou.

Já Danielle do Egypto, representante do Ambulatório de Reumatologia do HU, acrescentou que semanalmente são atendidas cerca de 40 pessoas diagnosticadas com o lúpus eritematoso sistêmico. “Embora o HU seja um hospital terciário de grande complexidade e vai continuar sendo o grande hospital de referência para esses pacientes, principalmente na questão de internação hospitalar, tem que ser aberta uma rede em outros serviços de saúde, fazendo com que o paciente tenha um atendimento médico mais rápido e de qualidade com outros profissionais”, destacou.    

Maria Ana da Conceição, representante do grupo Águia de pacientes de doenças autoimunes, pontuou que é fundamental, além do atendimento especializado, o diagnóstico precoce. “Nós estamos passando por um desafio de uma doença que não é fácil, mas sofremos o desafio do atendimento e do acompanhamento. A doença precisa de um diagnóstico precoce e quantas de nós estamos sem saber nem o que temos? A nossa reivindicação é não ser negligenciada no atendimento, pois não somos só um número que está crescendo. Estamos falando de vidas que precisam ser cuidadas”, pontuou.      

Por sua vez, a representante da Defensoria Pública da Paraíba, Maria dos Remédios, disse que o órgão recebe inúmeras solicitações de pessoas que possuem doenças autoimunes por diversas demandas, a exemplo de exames para o diagnóstico, além de medicação para o tratamento. “Para nós defensores públicos é muito triste ter que judicializar aquilo que já está contido na política pública de saúde. A Defensoria Pública, através do núcleo especial de saúde, está sempre atenta procurando efetivar os direitos que as pessoas com doenças autoimunes já tem, porque saúde é um direito de todos e um dever do estado, como está na própria Constituição”, ratificou.

José Eymard Medeiros, Gerente de Atenção à Saúde do HU, afirmou que o Hospital Universitário sozinho é incapaz de resolver qualquer patologia em João Pessoa: “Somos um hospital vinculado ao MEC, de ensino, e não de assistência exclusivamente. O problema é amplo e requer um entendimento não apenas pelo gestor, pela classe política e pela população também de que pacientes de menor complexidade precisam ser atendidos em outros ambientes. Precisamos ter atendimento em cidades pólo como Patos, Sousa, Cajazeiras e Campina Grande, para descentralizar o atendimento de João Pessoa”.         

Também presente à audiência, o secretário municipal de Saúde de João Pessoa, Luís Ferreira Filho, concluiu dizendo que a secretaria hoje possui 11 médicos reumatologistas que estão divididos, atuando em policlínicas e em outras clínicas da rede municipal. “O projeto é montar no Hospital Municipal Santa Isabel um serviço igual ao oferecido pelo HU. Para isso, seis médicos reumatologistas foram convocados do último concurso, sendo que quatro já tomaram posse, em busca de tentar dividir um pouco essa demanda”, finalizou.

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